PREÂMBULO

Não é possível definir Poesia. Ela é aquilo que brota do mais fundo do Ser e espelha o universo interior de cada um. Os Grandes Poetas, justamente, são aqueles que são capazes de exprimir o que, para além de ser a sua verdade interior, é, de igual modo, a verdade interior de cada ser humano.
Nesta página lança-se um desafio de escrita... lança-se o desafio de poetar... Regularmente, textos (em prosa e em verso) são publicados neste espaço virtual. Este é o sítio de quem quer partilhar as visões maravilhosas que traz consigo e o entendimento singular do universo em que nos movemos. A comunhão com o mundo, a beleza íntima dos seres e das coisas, o rasgo filosófico de um pensamento, de uma ideia, tudo isso se exprime poeticamente nesta página, na voz de
jovens alunos de diferentes turmas da Escola Secundária de Camões, Lisboa, Portugal.

Antíteses




 Sabes quando olhas para ela, mas ela desvia o olhar? Quando tentas vê-la, mas ela não está ali, ela esconde-se, ela não deixa. E, então, tudo se baseia no que podia ser e que não é, naquilo que está à superfície. Mas cativa não saber o que ali vive e viver dessa carência. E procuras sempre mais, procuras saber o que é, o que se passa, o que há para saber e que, para este lado, não passa.

 Algo que seja importante e superior a tudo o que seja transmissível e que não está aceso na sua consciência, porque é isso que a apaga todos os dias.

 Tu consegues ver no olhar dela, mesmo que ela o desvie, mesmo que não dê para ver nada. Dá para sentir que não trespassa, que não se faz compreender. E tu entendes que vives essa antítese que tu nem imaginas que existe. E que não lhe passa pela cabeça! (Aquela que ela move, mas que a própria sente que está imóvel de pensamentos ricos.)

 Não consegues receber o que ela te dá, ela que flua e tu que a deixes fluir. Mas tu não paras de olhar! Apenas te concentras no olhar e no que está por detrás dele. O espaço que pensas estar vazio, tu sabes, e bem, que cheio, tu não pensas que está.

 Errado ou certo? Não sabes, porque, a partir do momento em que ela desvia o olhar, quando a olhas, perdes toda a vitória existente na sua pessoa. E daí o vazio.

 Mas será porque ela não quer e porque esconde o que não pode estar à vista? Ou porque o teu olhar a endoidece e sustenta a insustentabilidade?

 Olhos e olhares e tu só queres descodificar o dela.



Ana Varela, 10.º K

Livros




                                                                                      
As palavras estão presentes nas frases, frases presentes em histórias, histórias lidas e ouvidas pelos leitores e desta forma se comunica, passam-se mensagens e ideias, para uns, fontes de inspiração e, para outros, é apenas lazer.

Ao que me referia no parágrafo atrás? Bem, referia-me a livros, sim, livros! É nessas coisas a que nós chamamos de livros, que nós expressamos a nossa imaginação, partilhamos segredos e experiências de vida, uns escrevem, outros copiam; eu escrevo, mas também copio, copio, mas não um texto todo, copio ideias, alimentando assim as minhas, podendo trazer mais interesse e prazer aos meus leitores. Não é que tenha muitos, na verdade, os meus leitores são a minha professora de português, os meus pais e eu. Se gostava de ter mais leitores? Não propriamente, pois desde que escrevo, que não escrevo para os outros, mas sim para mim, acho que por ter vergonha de receber comentários positivos e medo de comentários negativos. Eu sei, sou estranho, mas aceito melhor as minhas próprias críticas.
Eu pergunto-vos, o que define um livro? O livro define-se por ter uma capa, umas quantas folhas e uma sobrecapa, ou podemos, por exemplo, pegar num bloco de folhas, escrever a nossa história e chamar a esse bloco de folhas, de livro? Quanto a vocês não sei, mas para mim um livro é o objeto ou a coisa onde está escrita a nossa história, tendo a forma que tiver, dependendo de que material seja feito, é nesse objeto ou coisa onde estão presentes os nossos sentimentos.


Bernardo Santos, 10.º I

   

Contagem




 Temos os dias contados. O cheiro do verniz sobe-me pelo nariz, aquele tóxico cheiro, mas que por sê-lo me consome. A luz eu ficou acesa e a coragem faltou para apagá-la. O som das últimas palavras  a ecoar naquele quarto. No ar ficam as palavras não ditas e, na mesa, o copo de água entornada. Pedaços de jarra partida no chão e lágrimas a percorrerem-me o rosto.

 Contei os dias, aqueles que ainda restavam. Os dedos de uma mão chegavam-me. E pensei se ainda valeria a pena correr para atingir. Seguir o caminho marcado e que o coração contraria. A cabeça diz que sim, mas o coração diz que não… Mas fui. Segui o cheiro, como se a vida dependesse disso, com sede de ter.

 Estava quase no fim. E se recomeçasse? Lembrei-me da força com que a porta bateu e do barulho inconsolável que fez no dia da partida. Alguns vestígios permaneceram, enaltecendo-me a vontade de me desfazer deles. O relógio avariado como se o tempo tivesse, subitamente, parado. Um intervalo para pensar. Um tempo para pôr as ideias em ordem e a chuva que, intensamente, brigava com o vidro da janela. O conforto do nada e a ausência de posse.

 Senti que acabou no dia em que se fundiu a lâmpada e o vento abrandou. Era difícil não sentir, e presenciar a inexistência. Passos cautelosos e respirações vagas. O vazio era cada vez mais familiar, mas enigmático. E a contagem teve fim.


Ana Varela, 10.º K

Memória perdida



Era um mar de incertezas
Uma confusão de ideias
Era uma viagem sem rumo
Uma bússola sem íman
Era um tornado imparável
Uma destruição definitiva
Eras tu vestido de inocente
Uma falsa expectativa
Era eu rodeada de memórias
Uma súbita despedida
Éramos nós em sentidos opostos
Uma separação atribulada
Agora nada é
Agora nada foi
Agora perdeu-se a memória
De algo que acreditei ser especial,
De algo que um dia foi real,
De algo que juraste ser imortal



Inês Dias, 10.º F 

Era uma vez alguém



Era uma vez alguém.

Alguém que tinha um grande espírito crítico. Alguém que, por conseguinte, tinha sempre algo a dizer. Podia afirmar invenções já descobertas, tais como, por exemplo, “O Sol é amarelo” ou “A Lua tem crateras”.

Fazia da sua voz, a voz de todos. Sentia que precisava de falar e mostrar que ser ouvido é algo muito relativo.

Quando, infelizmente, descobriu que o falar era algo relativo, calou-se.

Até ao fundo do seu silêncio, pronunciava palavras ocultas para o seu pequeno mundo. Daí, todos começaram a sentir a falta de ouvir, o que quer que fosse, desejando que ele apenas falasse como habitualmente fazia. Afinal, ele pensara que era tudo muito relativo, pois não era devidamente ouvido.

Assim que sentiram saudades, o alguém tinha-se calado e tinha voltado para o seu pequeno mundo interior e apenas contactava para dentro, onde sabia que a sua alma lhe era fiel.


Era uma vez alguém. 


Marta Godinho, 10.º I

Cantiga de amigo




O mar revoltado te levou
Será que ele sabe que me roubou?
Porque partiste meu amado?

Esse imenso mar irado
Saberá que de mim foste tirado?
Porque partiste meu amado?

Será que ele sabe que me roubou?
Será que meu amado também chorou?
Porque partiste meu amado?

Será que meu amado também chorou
E o mar consolou?
Porque partiste meu amado?

O mar te consolou
E as suas ondas me embalou
Porque partiste meu amado?

Maria Carolina Vieira, 10.º I

Cantiga de Amigo



Diz-me o que fazer
Se agora longe está meu amigo
Ai mãe, quando voltará!?
Ai mãe, quando voltará!?

Diz-me como sobreviver
Se agora longe está meu amado
Ai mãe, quando voltará!?
Ai mãe, quando voltará!?

Se agora longe está meu amigo
Perdida agora fico
Ai mãe, quando voltará!?
Ai mãe, quando voltará!?

Se agora longe está meu amado
Em tristeza profunda fico
Ai mãe, quando voltará!?
Ai mãe, quando voltará!?

Perdida agora fico
Sem saber como reagir
Ai mãe, quando voltará!?
Ai mãe, quando voltará!?

Em tristeza profunda fico
Sem saber o que fazer
Ai mãe, quando voltará!?
Ai mãe, quando voltará!?


 Constança Antunes, 10.º K

Com as minhas palavras




Com a minha mão, eu escrevo,
Com a minha mão, eu desenho,
Com a minha mão…

Com os meus pés, eu ando,
Com os meus pés, eu danço,
Com os meus pés…

Com os meus olhos, eu vejo,
Com os meus olhos, eu imagino,
Com os meus olhos…

Com os meus sentidos, eu cheiro,
Com os meus sentidos, eu sinto,
Com os meus sentidos…

Com a minha boca, eu canto,
Com a minha boca, eu beijo,
Com a minha boca…

Com as minhas palavras, eu falo,
Com as minhas palavras, eu te alcanço,
Com as minhas palavras…


Inês Correia, 10. º F

Cantiga de Amigo




Correrei eu, as praias das ilhas desertas?
Avistando o sol, enquanto desperta.
Um constante caminho, percorrê-lo-ei.

Correrei eu, pelos campos com flores desabrochando?
Avistando o sol, fortemente queimando.
Um constante caminho, percorrê-lo-ei.

Avistando o sol, enquanto desperta
Naquele momento, na hora certa.
Um constante caminho, percorrê-lo-ei.

Avistando o sol, fortemente queimando
Folhas verdes pela ribeira passando.
Um constante caminho, percorrê-lo-ei.

Naquele momento, na hora certa
O percurso do dia me inquieta.
Um constante caminho, percorrê-lo-ei.

Folhas verdes pela ribeira passando
As mágoas e as angústias carregando.
Um constante caminho, percorrê-lo-ei.

O percurso do dia me inquieta
(N)uma carta selada e secreta.
Um constante caminho, percorrê-lo-ei.

As mágoas e as angústias carregando,
Numa simples aragem voando.
Um constante caminho, percorrê-lo-ei.

(N)uma carta selada e secreta
Com o propósito da grande descoberta.
Um constante caminho, percorrê-lo-ei.

Numa simples aragem voando
Agora que Deus me levou, descansando.
Um constante caminho, percorrê-lo-ei.




Madalena Oliveira, 10.º H 

Naquela noite... o infinito




Numa corrida onde ganha o infinito, dois barcos de pássaros passeiam-se pela névoa. As gaivotas desfilam sinistras pela luminosidade perdida, que o céu vai deixando para trás no início da noite.
Lá em baixo, os vultos desinteressados movimentavam-se na podridão das algas presas na areia pálida, derrotada pelas pegadas marcadas do dia que passou. O mar dançava secretamente em direção ao horizonte que escurecia os seus limites. Aos poucos, todos os dias, por aquela hora, os contornos cruéis que separavam mar e céu lá iam esgotando a pintura das suas cores diferentes, os azuis mergulhavam na fuligem e fundiam-se num tom exato de escuridão que ambos conheciam.
Ficavam juntos no fim dos seus maiores medos, encontravam-se sem receio nos degraus das suas portas entreabertas. Naqueles tempos, sussurravam segredos cativos por séculos, numa flecha de melodia fabricavam-se histórias e desejos eternos. O céu e o mar misturavam-se discretamente e enganavam os Homens distraídos que vinham cheirar a maresia.
Lá em baixo, apenas um vulto negro permanecia com os olhos presos no espectáculo das últimas ondas visíveis. As águas eram gélidas, e os ventos agrestes desapareciam dos seus esconderijos nos troncos das árvores. O mundo mudava ao sabor da noite desconhecida e apenas duas esculturas unidas numa sombra se mantinham imóveis perante a força do mar imenso.
Talvez esperassem um movimento brusco das águas que os levasse, talvez tentassem penetrar no teatro da noite. Talvez esperassem um monte de coisas, mas, ali, naquele instante, naquela noite apenas existiam dois vultos negros que o céu e o mar não enganavam com os seus formatos. Tal como o céu e o mar, duas pessoas sentadas no frio da areia entardecida tentavam alcançar o lugar onde as coisas se confundem, procuravam o refúgio da vida quotidiana. E tanto o mar como o céu os observavam, felizes na certeza de que há cores que ninguém confunde.



Leonor Gaião, 10.º I

Sentimentos




Sou doce, bem disposta, mas com um carácter impulsivo. Qualidade ou defeito que me faz reagir à menor provocação.
Obviamente que, com esta caraterística, acabo por magoar alguém, o que me leva, por vezes, a pedir desculpa. Mas será que um pedido de desculpas é suficiente?
Um dia, houve alguém que me deu uma folha de papel, daquelas das fotocópias, e disse-me para eu fazer uma bola com ela. Assim fiz! Amassei bem e fiz uma bolinha bem redondinha.
Logo de seguida, a mesma pessoa voltou a dizer-me para pôr a folha como ela estava. Não consegui!
Por mais que tentasse, o papel continuava cheio de pregas e vincos.
Sem mais palavras, percebi que o coração das pessoas é como essa folha. Uma vez amassados e mal tratados, dificilmente voltarão ao seu estado inicial.
Assim, aprendi a ser mais compreensiva, tolerante e paciente.


Inês Pinto, 10.º K

Cantiga de amigo







Porque não respondes ?
Se é a ti que entrego o meu amor
E eu chorando pelo meu amigo
E eu chorando pelo meu amigo

Pergunto aos rochedos
Porque estais longe no campo ?
E eu chorando pelo meu amigo
E eu chorando pelo meu amigo

Se é a ti que entrego o meu amor,
Porque não respondes?
E eu chorando pelo meu amigo
E eu chorando pelo meu amigo

Nem rochedos, nem arvoredos
Sabem novas de ti
E eu chorando pelo meu amigo
E eu chorando pelo meu amigo

Mariana Cotrim, 10.º K

Quem vê caras não vê corações




“Quem vê caras não vê corações”: este provérbio é, na verdade, bastante conhecido e utilizado para fazer uma distinção entre ser e parecer.
  Realmente, nós, pessoas, julgamos muitas vezes os nossos próximos pela sua aparência. Por outro lado, também somos submetidos à mesma avaliação. A  meu ver, não devíamos pensar desta maneira, uma vez que não são as pessoas que têm um aspeto mais agradável aos nossos olhos, que nos fazem felizes.
  Muitas vezes, a imagem que damos de nós próprios esconde aquilo que somos.Em grande parte dos casos, as pessoas que dão uma falsa imagem da sua pessoa costumam normalmente fazê-lo para esconder, de certa forma, a sua tristeza ou o que mais os magoa. Na minha opinião, tal coisa não deve ser feita, pois, por exemplo, para fazermos e/ou  preservarmos as nossas amizades, temos de ser quem realmente somos, temos que ser sinceros.

  Concluindo, ser e parecer são conceitos totalmente diferentes, apesar de nós, seres humanos, não os distinguirmos, escolhendo quase sempre ver as pessoas pelas “caras”.  

Costin Caraene, 10.º K 

Uma folha em branco





Jurava que era só sentar-me com a folha à frente e as palavras surgiriam, mas
enganei-me. Olhar para uma folha branca não me fazia imaginar as palavras no ar, muito menos uma história.
Sempre achei que a escrita fosse um porto seguro, que iria ter sempre algo para escrever, mas, afinal, fui levada pela corrente, ou melhor, deixei-me levar. Procuro ideias cativantes, nada demasiado pessoal, nada demasiado triste, algo interessante, mas o que é que eu tenho? Uma folha em branco.Num mundo fictício, bastava pedir a um feiticeiro que lançasse um feitiço de criatividade e tudo estaria resolvido.
No fim de um livro, devia existir uma porta, que fosse aberta para dar vida às personagens.
Gostava de saber como é que cada escritor lida com os seus bloqueios. Não gosto de os imaginar preocupados, prefiro imaginar que têm tudo sob controlo, que se sentam numa cadeira na varanda, com um café na mão a ler um livro, e que, no momento certo, a ideia brilhante, vai aparecer de forma inesperada.
Por vezes, chego a pensar que cada escritor passava por uma prova que eu desconhecia, talvez uma prova intensa que nos livrasse de encravar, se ao menos eu tivesse realizado essa prova, não estaria a tentar resolver este problema.

Escrevo, mas nada faz aquele clique. Não devia ser algo complicado, certo? Se uns escrevem livros, porque é que eu não consigo escrever um mero texto de uma folha? É intrigante. O que será que causa estes bloqueios? Se houvesse uma pessoa encarregue destes bloqueios, eu gostava que ela respondesse às minhas questões. Não seria rude, escrevia-lhe uma carta bastante formal a expor todas as minhas dúvidas e perguntas e, depois aguardaria uma resposta. Talvez não fosse uma pessoa com ideias maléficas, se calhar, estava à procura de emprego e aceitou o primeiro que apareceu, quem sabe, teria de esperar pela sua carta.

            Agora reparo que a folha de que me queixava, deixou de ser branca.


Ana Marta Rato, 10.º K



I have a dream



        “ Tenho um sonho que os meus quatro filhos viverão, um dia, numa nação, onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu carácter”, Martin Luther King.

Ele estava certo, ele queria que todos tivessem direito à igualdade, e morreu a defender a sua causa, e, agora, porque é que não seguimos o seu ideal? Continuamos a julgar todo o ser como diferente, não só pela cor da sua pele mas também pela orientação sexual, pela religião, pelos diferentes costumes, até pela simples maneira de pensar. Continuamos a sobrepor as diferenças de cada um, ao seu carácter. Continuam a haver países onde se mata uma pessoa, apenas por ela ser homossexual, ou por ter uma religião diferente. E a culpa, essa, é nossa, fica sempre bem gritar aos sete ventos que devemos respeitar a diferença, mas ainda não chegou o dia em que tenhamos posto isso em prática, ainda não chegou o dia em que olhámos uns para os outros e não julgámos as diferenças, respeitamo-las. O mundo seria tão melhor, se tudo fosse assim.
Eu tenho esperança, tal como o Martin Luther King, eu tenho um sonho, que um dia vivamos num mundo sem julgamentos, num mundo sem maus olhares à diferença, num mundo onde o respeito reine, onde todos sejamos diferentes e respeitados, porque, afinal de contas, todos temos direito à vida e ao respeito por ela. Eu tenho esse sonho, e, todos os dias, sonho que ele se tornará realidade.



Ana Catarina Matos, 10.º K

Os Caminhos



  Imagina uma estrada, uma estrada sem prédios, sem pessoas, sem animais, sem nada nas laterais. Só tu e uma longa estrada, preta. E, agora, tu deves estar a interrogar-te sobre o porquê de estares a imaginar isso, quando não faz sentido nenhum. Mas eu passo a explicar.
  Portanto, existe uma estrada sem nada, só contigo e não consegues ver o fim dela. Agora, se pensares bem, isso reflete a tua vida. Sim, é verdade, a tua vida. A tua vida é uma estrada em que não consegues ver o fim, porque, dependendo das decisões que tomares, vais-te decidir, por exemplo, se vais por um lado ou por outro. Se fores por um, vais ter outras direções ou um caminho já feito; e, se fores pelo outro, vais ter outras direções e caminhos diferentes. Contudo, essa decisão, a decisão do teu caminho só te cabe a ti.
  É verdade que, quando tomas uma decisão, não sabes se foi uma decisão, um caminho bom a percorrer, contudo, mesmo que te apercebas que viraste na direção errada, tens sempre, mas sempre, a hipótese, de virares noutra que te faça ir numa boa direção. E isso é aprender com os erros e aí tens duas opções, ou continuas no mesmo erro, na mesma direção má, ou então remedeias os teus erros e viras numa direção melhor.
  Como disse há bocado, só te cabe a ti, tu é que fazes o teu caminho, tu é que fazes a tua estrada e lembra-te, há sempre uma direção em que podes remediar os teus erros.



Rita Antão, 10.º I

Lembra-me de te esquecer



   
                         
  Não me esqueço que não me lembraste.
  Não acredito porque não me disseste. Prometeste, mas não cumpriste. Juraste que sim e que sentias, mas eu não queria as tuas juras. Eu queria as provas.
  Não provaste que querias. Não disseste que sentias. Eu quis, mas tu não querias. Querias, mas não podias. Por mais que tentasse, não ia valer de nada, já não resultava. Não havia físico, quanto mais química. Eu gostava das letras, a literatura apaixonava-me e tu eras mais de números, equações, … Nunca soube decifrar equações. Nunca te soube decifrar. Nunca deixaste, eras difícil. Mas eu gostava do desafio e queria vivê-lo, por mais que isso significasse sofrer! Lutei para ter e manter, para te ver sorrir e poder sentir mais a cada dia que passava. Confiei e dei-te tudo à espera de também receber. Mas tinhas muitas cicatrizes e isso fez com que nós os dois não pudéssemos ser felizes.
  Quem sofre por amor, sabe bem o que é sofrer, sabe bem o que é querer e não poder ter. Mas, por favor, que nunca saiba o que é perder. Porque quem ama não perde, só ganha.
  
Lembra-me de te esquecer.



Ana Varela, 10.ºK

Fecha os olhos



Fecha os olhos, inspira, expira, abre os olhos e segue em frente.
Enfrenta vida. Não é por ficares aí parado que algo vai acontecer. Levanta-te e faz acontecer . Faz com que a tua voz seja ouvida , expõe as tuas ideias ao Mundo. Estar aí parado, sem fazer nada, não vai mudar nada, não vais ajudar ninguém nem mesmo a ti. Nunca ninguém mudou o mundo ao ficar sentado, sem fazer nada.Se queres ajudar alguém, se queres fazer algo por ti , tens que te levantar e agir. No mais pequeno gesto pode estar a maior das diferenças. As coisas não mudam até alguém fazer algo, nada cai do céu.

Tenta mudar o mundo, mas começa por te mudares a ti.

Beatriz Pedroso, 10.º K

O Tempo




Dizem que o tempo voa
Mas afinal,
O que é o tempo?

O tempo
São as horas?
São os minutos?

O tempo
É o momento
Ou será só um passatempo?

O tempo
É a chuva?
É o sol?

O tempo
Marca o ritmo
Do pensamento?

Ou o tempo
Tem asas
Para voar?

Pequenas coisas



Eram oito da manhã, oito e treze, para ser mais preciso. Quando reparo na mulher alta, vistosa e esbelta com quem cruzava o meu olhar. Permaneci a olhar fixamente para ela, enquanto andava apressado, já atrasado para me apresentar no primeiro dia de trabalho depois das férias terem acabado. A mesma rotina, todos os dias, as mesmas feições, os mesmos sons, luzes, cheiros. Era tudo tão o mesmo até olhar para aquela mulher. Tão simples, mas tão atraente, que fui obrigado a quase decorar as suas curvas. Chamou-me a atenção. Por isso, escrevo para não me esquecer da diferença e do encanto que uma pessoa, pela sua existência, pode fazer na nossa vida. Para ser mais objetivo, a diferença que aquela mulher fez no meu dia.

Virando a questão centrada em nós próprios, será que também estamos cá, para mudar o dia de alguém? Às vezes ponho-me à janela, olho para a lua e penso “nós somos tão pequenos relativamente à imensidão do universo, todos os conflitos que, às vezes, possamos ter com alguém, não valem de nada”. Porque não valem mesmo. Eu vejo a vida como um capítulo, uma história. Tem de ser vivida com alegria e entusiasmo. Cada capítulo é uma aventura, é único, cansativo e difícil, por vezes, emocionante, inesquecível e muito curto, porque o tempo passa a correr. Porque nós nascemos para morrer e as coisas boas têm sempre um fim. É o amor que nos suporta, nos alimenta e nos entusiasma. Faz parte da nossa vida, porque, se não o houvesse, eu não chamaria a isto vida.

Com isto, tento dizer que bastou olhar para aquela mulher tão bonita, com um ar simpático e bastante amável, para me aperceber que o tempo está contado e não há motivos para nos aborrecermos por pequenas coisas. Acabo, assim, por afirmar que sei que serei uma pessoa melhor por tentar tornar o dia de alguém melhor com simples ações.

Façam o favor de serem felizes!


Madalena Oliveira, 10.º H

A vela que empalidece...



Passou uma meia hora, corria um boato que metia medo, algo parecia ter morrido lá fora naquela noite. Nunca se tinha ouvido tanto silêncio junto. Dela não se ouvia nada, estava completamente sozinha. Ouvia-se o respirar ofegante e, depois, com mais calma, ouvia-se o contrariar do medo com gritos e sussurros longos. Respirava e acalmava-se a si mesma com a mestria dos que passam todos os dias pelas mesmas estradas.
Habituarmo-nos ao conforto de ouvir a nossa respiração em dias de tempestade era como um jogo de tabuleiro de um oponente só, aprendemos a manter um percurso em que corremos para nos sentarmos dos dois lados da mesa. É um campeonato contraditório, somos ensinados a jogar para salvar o outro de perder. Eu tinha aprendido a navegar com uma astúcia considerável, mas talvez fosse só mais um engano meu. Quando o jogo acabava, eu costumava já estar a dormir, e, de manhã, a vela que eu fazia por manter viva na noite alertava-me para não tropeçar nas peças que estavam no chão. Eu costumava perguntar de que peças é que ela estava a falar e era costume ela dizer-me, com um sorriso compassivo, que o tabuleiro tinha caído de noite.
Estava com tanto medo que quis quebrar o silêncio, era uma coisa que eu ainda podia fazer. Ia falar, mas a voz falhou-me vagamente e, nesse instante, o tecido inteiro do céu sufocou-me com demasiada força.
Sentia-lhe a chama crescer, altiva, imponente, acima da minha cabeça, por momentos senti toda a confiança que lhe tinha a varrer-se-me para o fundo de um tapete agora levantado agressivamente, como quem sacode um pó que já não sai, e pensei que ela poderia encenar um espectáculo em que os meus cabelos dançavam ateados às chamas do fogo. A minha cabeça ardia em memórias e ela ria-se das cinzas que se aproximavam.
O meu corpo escurecia, a luz tinha anoitecido um pouco no quarto, tudo caía mais um bocadinho. Achei que ou eu tinha adormecido ou a luz tinha faltado, mas afinal era só a vela que empalidecia também ela mais um bocadinho.

Leonor Gaião, 10.º I