PREÂMBULO

Não é possível definir Poesia. Ela é aquilo que brota do mais fundo do Ser e espelha o universo interior de cada um. Os Grandes Poetas, justamente, são aqueles que são capazes de exprimir o que, para além de ser a sua verdade interior, é, de igual modo, a verdade interior de cada ser humano.
Nesta página lança-se um desafio de escrita... lança-se o desafio de poetar... Regularmente, textos (em prosa e em verso) são publicados neste espaço virtual. Este é o sítio de quem quer partilhar as visões maravilhosas que traz consigo e o entendimento singular do universo em que nos movemos. A comunhão com o mundo, a beleza íntima dos seres e das coisas, o rasgo filosófico de um pensamento, de uma ideia, tudo isso se exprime poeticamente nesta página, na voz de
jovens alunos de diferentes turmas da Escola Secundária de Camões, Lisboa, Portugal.

Antíteses




 Sabes quando olhas para ela, mas ela desvia o olhar? Quando tentas vê-la, mas ela não está ali, ela esconde-se, ela não deixa. E, então, tudo se baseia no que podia ser e que não é, naquilo que está à superfície. Mas cativa não saber o que ali vive e viver dessa carência. E procuras sempre mais, procuras saber o que é, o que se passa, o que há para saber e que, para este lado, não passa.

 Algo que seja importante e superior a tudo o que seja transmissível e que não está aceso na sua consciência, porque é isso que a apaga todos os dias.

 Tu consegues ver no olhar dela, mesmo que ela o desvie, mesmo que não dê para ver nada. Dá para sentir que não trespassa, que não se faz compreender. E tu entendes que vives essa antítese que tu nem imaginas que existe. E que não lhe passa pela cabeça! (Aquela que ela move, mas que a própria sente que está imóvel de pensamentos ricos.)

 Não consegues receber o que ela te dá, ela que flua e tu que a deixes fluir. Mas tu não paras de olhar! Apenas te concentras no olhar e no que está por detrás dele. O espaço que pensas estar vazio, tu sabes, e bem, que cheio, tu não pensas que está.

 Errado ou certo? Não sabes, porque, a partir do momento em que ela desvia o olhar, quando a olhas, perdes toda a vitória existente na sua pessoa. E daí o vazio.

 Mas será porque ela não quer e porque esconde o que não pode estar à vista? Ou porque o teu olhar a endoidece e sustenta a insustentabilidade?

 Olhos e olhares e tu só queres descodificar o dela.



Ana Varela, 10.º K

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